Policiais suspeitos de forjar apreensão ao 'plantar' droga: o que se sabe e o que falta esclarecer

  • 16/09/2026
(Foto: Reprodução)
Justiça mantém preso investigador de polícia suspeito de forjar flagrante Três policiais civis são investigados por suspeita de "plantar" um tablete de maconha em uma casa para forjar uma apreensão durante uma operação na Região da Pampulha, em Belo Horizonte. Rafael Egg Macedo, Rodrigo Otávio Andrade e Ana Luiza Guimarães Carvalho tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Rafael foi preso e teve a prisão mantida após audiência de custódia nesta terça-feira (15). Rodrigo e Ana Luiza seguem foragidos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O caso aconteceu em 7 de agosto e foi filmado pelos próprios policiais. As imagens levantaram suspeitas sobre a origem da droga encontrada e passaram a fazer parte da investigação da Corregedoria da Polícia Civil. Veja abaixo o que se sabe e o que ainda falta esclarecer sobre o caso: O que aconteceu durante a operação? Por que surgiu a suspeita de que a droga foi "plantada"? O que a Corregedoria aponta? Quem foi preso e quem está foragido? Por que pai e filho continuam presos? O que falta esclarecer? O que dizem as defesas? Imagens dos policiais civis Ana Luiza Guimarães Carvalho, Rafael Egg Macedo e Rodrigo Otávio Andrade Reprodução/TV Globo O que aconteceu durante a operação? Policiais do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc) cumpriram um mandado de busca e apreensão em uma casa na Região da Pampulha. O alvo era Matheus Bruno Andrade Fernandes, filho de uma policial civil. Durante as buscas, os agentes encontraram uma pistola 9 mm com kit rajada dentro de uma gaveta. Depois, anunciaram a apreensão de um tablete de maconha de 740,43 gramas em uma sapateira no mesmo quarto. Também foram apreendidos 42 munições e rádios comunicadores Por que surgiu a suspeita de que a droga foi "plantada"? A família não contesta a apreensão da arma, mas afirma que a maconha não estava no quarto. Nas imagens da operação, a sapateira aparece durante uma primeira vistoria sem que seja possível observar o pacote entre os calçados. Depois, policiais retornam ao cômodo e anunciam que encontraram a droga. Matheus e o pai, Bruno Gleidson Fernandes, contestam imediatamente a apreensão e afirmam que o pacote não estava no local. As gravações passaram a fazer parte da investigação da Corregedoria. O que a Corregedoria aponta? A Corregedoria identificou possíveis irregularidades na operação. Rafael teria entrado na residência com um "aparente volume irregular" na perna esquerda da calça e, posteriormente, anunciado sozinho a localização da droga. Ana Luiza teria pedido que Rafael retornasse ao quarto sem a presença de testemunhas. Rodrigo, apontado como chefe da equipe, teria coordenado a abordagem e privado Matheus e o pai de liberdade. A apuração aponta indícios de crimes como tráfico de drogas, denunciação caluniosa, cárcere privado, falsidade ideológica e associação criminosa. Fotos mostram momentos da abordagem dos policiais Reprodução/ TV Globo Quem foi preso e quem está foragido? Rafael Egg Macedo foi preso e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça após audiência de custódia nesta terça-feira (15). Rodrigo Otávio Andrade e Ana Luiza Guimarães Carvalho também tiveram a prisão preventiva decretada, mas não foram localizados e seguem foragidos. Por que pai e filho continuam presos? Matheus e o pai, Bruno Gleidson Fernandes, estão presos desde a operação. Segundo a defesa, os dois são investigados por tráfico de drogas. Matheus também é investigado por posse ilegal de arma de fogo. A defesa afirma que não questiona a apreensão da pistola, mas contesta a origem da maconha encontrada no quarto. Pedidos de liberdade foram apresentados à Justiça. O que falta esclarecer? A investigação ainda busca esclarecer como o tablete de maconha foi parar na sapateira e quem teria colocado a droga no local. As imagens são analisadas para reconstruir a movimentação dos policiais dentro da residência e a sequência dos acontecimentos antes da apreensão. Outro ponto ainda não esclarecido é o que seria o "aparente volume irregular" visto na perna da calça de Rafael quando ele entrou na casa e se há relação entre esse volume e o tablete encontrado posteriormente. A Corregedoria também apura a participação de cada um dos policiais nas supostas irregularidades e se outros agentes tiveram envolvimento. Também falta esclarecer qual teria sido a motivação para uma eventual apreensão forjada. Rodrigo e Ana Luiza continuam foragidos, e o paradeiro dos dois não havia sido informado até a última atualização desta reportagem. O que dizem as defesas? A defesa de Rafael Egg Macedo nega as condutas ilegais atribuídas ao policial e afirma que eventuais acusações precisam ser comprovadas. A defesa de Rodrigo Otávio Andrade também nega a participação dele nos crimes investigados. A reportagem tenta contato com a defesa de Ana Luiza Guimarães Carvalho. A Polícia Civil afirmou que não compactua com eventuais desvios de conduta de servidores e reafirmou o compromisso com uma apuração isenta e rigorosa.

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/09/16/policiais-suspeitos-de-forjar-apreensao-ao-plantar-droga-o-que-se-sabe-e-o-que-falta-esclarecer.ghtml


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